sexta-feira, 22 de agosto de 2008

EU NÃO SOU VOCÊ E VOCÊ NÃO É EU

Eu não sou você
Você não é eu
Mas sei muito de mim
Vivendo com você
E você, sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava para você
Na sua, minha, insegurança
Na sua, minha, desconfiança
Na sua, minha, competição
Na sua, minha, birra infantil
Na sua, minha, omissão
Na sua, minha, firmeza
Na sua, minha, impaciência
Na sua, minha, prepotância
Na sua, minha, fragilidade doce
Na sua, minha, nudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto
Olhava pra mim?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sou mais eu, quando consigo
Lhe ver, porque voe me reflete
No que eu ainda sou e
No que quero vim a ser...
Eu não sou você
Você não é eu
Mas somos um grupo, enquanto
Somos capazes de, diferenciadamente,
eu ser eu, vivendo como você e
Você ser você, vivendo comigo!

(Pichon-Rivière et al, in Freire: 1992, p. 59-0)

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