quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Volátil
Minha paixões são todas voláteis. Pior seria se fossem eternas. Na busca nefasta pela eternidade só me restaram sonhos de Sonrisal e beijos de naftalina.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Canis familiaris
Acordei hoje com a Ira que Deus me deu e não ousou em tirar-me. Ira de Canis familiaris. Zanga daquele que não é visitante, mas inquilino, as vezes bom, mas inquilino. Deixo-me eriçar pelo corpo todo, começando pelos pêlos do dorso. Ensaio alguns rosnados que se estendem até o canto da boca trêmula ora pingando a saliva, ora fluindo pelos dentes na luta contra a gravidade e com o chão insiste em deixá-la com vontade de cair. E a Ira me diz: Canis sim, familiares jamais! O preto no branco de minha visão realça a cólera. Por que não me tiram os olhos?
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Rotas
"Quando, seguindo o nosso caminho, encontramos um homem que, seguindo o seu caminho, vem ao nosso encontro temos conhecimento apenas de nossa parte do caminho, e não da sua, pois esta nos vivenviamos apenas no encontro".
Buber
Buber
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Incrédulo
Hoje tomei o 415 às seis da manhã em direção a Universidade achando que todos eram parecidos comigo e iam para o mesmo destino. Algumas piscadelas até a próxima parada provocada pela síndrome do sono que me ataca quando estou em coletivos belenenses convergiram a um casal de amigos. Ele era católico, ela caótica. Adoravam acender incensos de maracujá para harmonizar o ambiente. De calça passada e camisa engomada trabalhava em um sex shop, ela preferia suas camisas indianas ou qualquer coisa que não impedisse a respiração de suas artérias para ir à promotoria. Sentavam na última janela. Metódica, só tomava água uma hora depois do almoço; protótipo, só digeria com doses homeopáticas de coca-cola. Brigavam pelo primeiro biscoito. Raivosa, detestava tirar as roupas dele do sofá; cansado, preferia não comentar. Gostavam de dormir no canto da parede. Cautelosa, ficava com as latinhas de cerveja e guardava as “argolinhas” mesmo sem saber onde, quando e como usá-las; astuto, se doava aos copos com cachaça mineira sem esquecer o santo. Bebiam acompanhados de amendoins torrados. Romântico, mandava flores e escrevia poemas de Clarice Lispector; cética, ouvia tudo calada e respondia com singelo “eu sei”. Procuravam não entender um ao outro. De repente, viram que eu os olhava ainda em meio a minha dor sonolenta, levantaram levemente os braços recebendo de mim um sorriso lânguido. O que pensaram? Prefiro não saber. Só sei que sou mais incrédulo quanto às pessoas irem para o mesmo destino que o meu.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Ignólatras
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais. (Fernando Pessoa)
Quando o vento cresce e parece que chove mais. (Fernando Pessoa)
Sento à beira-rio e tudo que faço é pensar. Nas cachorras soltas nas ruas, em seus filhotes seqüestrados por mãozinhas desavisadas, na bola que corre o asfalto e nos ultravioletas que forçam as partículas de água a condensar-se e quem sabe prismar-se em um arco-íris. Lembro da ignorância cantada por Cazuza e na felicidade promulgada por eles nos quatro cantos de um mundo sem cantos. Penso então em me tornar um Ignólatra. Batalhão grande seria formado por mim e aqueles que não se incomodam ao andar na chuva!
E depois das três, entorpecido pelo cheiro de grama, sou convidado pelo rio a ignorá-lo em toda sua magnitude caudalosa apagando Sol, acendendo a Lua. Levantar-me-ei estalando as costas como foguetinhos amarrados no rabo de um gato e desafiarei a inércia como a física quântica. Mas, quando a superificie se torna espelho, revolto em meus pensamentos não consigo deixar de pensar no incomodo de andar na chuva e volto a me molhar...
domingo, 7 de setembro de 2008
Eu caçador de mim...
Se nada para escrever, entre arquivos de documentos de texto do meu pc e na obrigação de atualizar meu blog lembrei do inicio de um artigo que escrevi para a disciplina de ciência e curriculo no programa de mestrado. É hilário quando olhamos para coisas que escrevemos a tempos atrás, talvez porque nos pareça tão próximo e ao mesmo tempo tão distante... Eu precisava redigir algo sobre a formação das identidades e achei que a música "caçador de mim" - a qual eu conheço principalmente na voz do Milton Nascimento - se encaixava na discussão. Viagem? Não sei! Enfim, entre linhas e entrelinhas ai esta o trecho de meu texto:
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim
(Luis Carlos Sá e Sergio Magrão)
Belém, 16 de dezembro de 2007.
Em meio a uma tarde chuvosa escrevo mais um artigo escutando no fundo esta música interpretada por Milton Nascimento. Entre agudos e graves de sua voz uma frase se sobressai no refrão: “Eu, caçador de mim”. Tão tridimensional quanto o som essa frase ocupa a sala, o corredor, as frestas da porta até chegar aos meus ouvidos e, num repente, ao teclar dos dedos. Introdução sempre é difícil para mim, por mais que eu saiba que quero falar sobre a formação da minha identidade. Ou seriam identidades? As palavras se embolam, os objetivos parecem ser problemas, as análises se assemelham às conclusões. Caçar eu mesmo, um paradoxo!
Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir
O que me faz sentir
Eu, caçador de mim
(Luis Carlos Sá e Sergio Magrão)
Belém, 16 de dezembro de 2007.
Em meio a uma tarde chuvosa escrevo mais um artigo escutando no fundo esta música interpretada por Milton Nascimento. Entre agudos e graves de sua voz uma frase se sobressai no refrão: “Eu, caçador de mim”. Tão tridimensional quanto o som essa frase ocupa a sala, o corredor, as frestas da porta até chegar aos meus ouvidos e, num repente, ao teclar dos dedos. Introdução sempre é difícil para mim, por mais que eu saiba que quero falar sobre a formação da minha identidade. Ou seriam identidades? As palavras se embolam, os objetivos parecem ser problemas, as análises se assemelham às conclusões. Caçar eu mesmo, um paradoxo!
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
EU NÃO SOU VOCÊ E VOCÊ NÃO É EU
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sei muito de mim
Vivendo com você
E você, sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava para você
Na sua, minha, insegurança
Na sua, minha, desconfiança
Na sua, minha, competição
Na sua, minha, birra infantil
Na sua, minha, omissão
Na sua, minha, firmeza
Na sua, minha, impaciência
Na sua, minha, prepotância
Na sua, minha, fragilidade doce
Na sua, minha, nudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto
Olhava pra mim?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sou mais eu, quando consigo
Lhe ver, porque voe me reflete
No que eu ainda sou e
No que quero vim a ser...
Eu não sou você
Você não é eu
Mas somos um grupo, enquanto
Somos capazes de, diferenciadamente,
eu ser eu, vivendo como você e
Você ser você, vivendo comigo!
(Pichon-Rivière et al, in Freire: 1992, p. 59-0)
Você não é eu
Mas sei muito de mim
Vivendo com você
E você, sabe muito de você vivendo comigo?
Eu não sou você
Você não é eu.
Mas encontrei comigo e me vi
Enquanto olhava para você
Na sua, minha, insegurança
Na sua, minha, desconfiança
Na sua, minha, competição
Na sua, minha, birra infantil
Na sua, minha, omissão
Na sua, minha, firmeza
Na sua, minha, impaciência
Na sua, minha, prepotância
Na sua, minha, fragilidade doce
Na sua, minha, nudez aterrorizada
E você se encontrou e se viu, enquanto
Olhava pra mim?
Eu não sou você
Você não é eu
Mas sou mais eu, quando consigo
Lhe ver, porque voe me reflete
No que eu ainda sou e
No que quero vim a ser...
Eu não sou você
Você não é eu
Mas somos um grupo, enquanto
Somos capazes de, diferenciadamente,
eu ser eu, vivendo como você e
Você ser você, vivendo comigo!
(Pichon-Rivière et al, in Freire: 1992, p. 59-0)
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Coração Imprudente
Coração Imprudente
Paulinho da Viola e Capinan
O quê que pode fazer
Um coração machucado
Senão cair no chorinho
Bater devagarinho pra não ser notado
E depois de ter chorado
Retirar de mansinho
De todo amor o espinho
Profundamente deixado
O que pode fazer
Um coração imprudente
Se não deixar um pouquinho
De seu bater descuidado
E depois de cair no chorinho
Sofrer de novo o espinho
Deixar doer novamente
...
Então deixemos doer novamente, afinal como diria o próprio Paulinho da Viola: timoneiro eu nunca fui, que eu não sou de velejar...
Então não me pergunte como se faz para nadar!!!
Paulinho da Viola e Capinan
O quê que pode fazer
Um coração machucado
Senão cair no chorinho
Bater devagarinho pra não ser notado
E depois de ter chorado
Retirar de mansinho
De todo amor o espinho
Profundamente deixado
O que pode fazer
Um coração imprudente
Se não deixar um pouquinho
De seu bater descuidado
E depois de cair no chorinho
Sofrer de novo o espinho
Deixar doer novamente
...
Então deixemos doer novamente, afinal como diria o próprio Paulinho da Viola: timoneiro eu nunca fui, que eu não sou de velejar...
Então não me pergunte como se faz para nadar!!!
domingo, 17 de agosto de 2008
VERDADE E MULHER !
Supondo que verdade seja uma mulher não seria bem fundada a suspeita de que todos os filósofos, na medida em que foram dogmáticos, entenderam pouco de mulheres? De que a terrível seriedade, a desajeitada insistência com que até agora se aproximaram da verdade, foram meios inábeis e impróprios para conquistar uma dama? É certo que ela não se deixou conquistar - e hoje toda espécie de dogmatismo está de braços cruzados, triste e sem ânimo.
Conquistar verdades e mulheres... façamos, vamos amar!!
Conquistar verdades e mulheres... façamos, vamos amar!!
terça-feira, 12 de agosto de 2008
TOCARÁS TU A CAMPAINHA??
"No fundo da China existe um Mandarin mais rico de que todos de que a Fábula ou a História contam. Dele nada conheces, nem o nome, nem o semblante, nem a seda de que se veste. Para que tu herdes os seus cabedais infindáveis, basta que toques essa campainha, posta a teu lado, sobre um livro. Ela soltará apenas um suspiro, nesses confins da Mongólia. Será então um cadáver e tu verás a teus pés mais ouro do que pode sonhar a ambição dum avaro. Tu, que me lês e és um homem mortal, tocarás tu a campainha?"
O Mandarim, Eça de Queirós.
E então, tocarás tu a campainha??
O Mandarim, Eça de Queirós.
E então, tocarás tu a campainha??
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Cheio de Vazio - Paulinho Moska
O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio
Cheio de vazios que transbordam
Seus sentidos pelo meio
Meio que circunda o infinito
Tão bonito de tão feio
Feio que ensina e que termina
Começando outro passeio
E lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor
Amor é o nome que se dá
Quando se percebe o olhar alheio
Alheio a tudo que não for
Aquilo que está dentro do teu seio
Porque seio é o alimento
E ao mesmo tempo a fonte para o desbloqueio
E desbloqueio é quando aquele tal vazio
Se transforma em amor que veio
Lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor
Do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor
O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio
Pra quem tem coração cheio
Cheio de vazios que transbordam
Seus sentidos pelo meio
Meio que circunda o infinito
Tão bonito de tão feio
Feio que ensina e que termina
Começando outro passeio
E lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor
Amor é o nome que se dá
Quando se percebe o olhar alheio
Alheio a tudo que não for
Aquilo que está dentro do teu seio
Porque seio é o alimento
E ao mesmo tempo a fonte para o desbloqueio
E desbloqueio é quando aquele tal vazio
Se transforma em amor que veio
Lá do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor
Do outro lado do céu
Alguém derrama num papel
Novos poemas de amor
O vazio é um meio de transporte
Pra quem tem coração cheio
Arrumando
Tu já parou para pensar o ato de arrumar?
Troca de lugar, abaixa, levanta...
Não parece com o ato de desarrumar?
Troca de lugar, abaixa, levanta...
Engraçado, acho que pensei em arrumação como sinônimo de ordem. Longe de ser verdade, perto de ser aparência.
Basta olhar para tudo e para todos, tudo se movimenta. Nem rápido, nem lento... apenas se movimenta.
"A ordem do mundo é a desordem" Illya Prigogine. Não estou falando de descrença, imparcialidade, ou mesmo em tom apocaliptico; a desordem não se resume a isso, ela é complexa assim como arrumar e desarrumar.
Volto aos meus pertences, puxo um móvel, mudo uma planta de lugar, troco de cores, tento me (des)arrumar...
Troca de lugar, abaixa, levanta...
Não parece com o ato de desarrumar?
Troca de lugar, abaixa, levanta...
Engraçado, acho que pensei em arrumação como sinônimo de ordem. Longe de ser verdade, perto de ser aparência.
Basta olhar para tudo e para todos, tudo se movimenta. Nem rápido, nem lento... apenas se movimenta.
"A ordem do mundo é a desordem" Illya Prigogine. Não estou falando de descrença, imparcialidade, ou mesmo em tom apocaliptico; a desordem não se resume a isso, ela é complexa assim como arrumar e desarrumar.
Volto aos meus pertences, puxo um móvel, mudo uma planta de lugar, troco de cores, tento me (des)arrumar...
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