Quando o vento cresce e parece que chove mais. (Fernando Pessoa)
Sento à beira-rio e tudo que faço é pensar. Nas cachorras soltas nas ruas, em seus filhotes seqüestrados por mãozinhas desavisadas, na bola que corre o asfalto e nos ultravioletas que forçam as partículas de água a condensar-se e quem sabe prismar-se em um arco-íris. Lembro da ignorância cantada por Cazuza e na felicidade promulgada por eles nos quatro cantos de um mundo sem cantos. Penso então em me tornar um Ignólatra. Batalhão grande seria formado por mim e aqueles que não se incomodam ao andar na chuva!
E depois das três, entorpecido pelo cheiro de grama, sou convidado pelo rio a ignorá-lo em toda sua magnitude caudalosa apagando Sol, acendendo a Lua. Levantar-me-ei estalando as costas como foguetinhos amarrados no rabo de um gato e desafiarei a inércia como a física quântica. Mas, quando a superificie se torna espelho, revolto em meus pensamentos não consigo deixar de pensar no incomodo de andar na chuva e volto a me molhar...
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