Hoje ao chegar do trabalho liguei a televisão e tive um susto. O Willian Bonner e sua voz de radialista de programas noturnos anunciavam a novela das sete. Sim, agora eram duas novelas em seqüência. Ou como diria a minha mãe: agora é uma no rabo da outra! O problema é que era meio difícil saber quem era o traseiro de quem. E como diria o meu ditado não tão materno como o da “mainha”: grandes rabos, grandes cagadas!
Na novela anunciada por Bonner um macaco pintor, fotógrafo e ladrão. Quando o vi rapidamente meus olhos saltaram das órbitas, porque se aquele primata começa a dar conselhos e ganha na mega-sena minha mulher iria comprar cigarros e não voltaria nunca mais. Ou melhor, voltaria com o macaco e ainda me diria que eu tinha que pintar quadros. E uma vez que nunca fui bom com os pincéis, com fotografias e muito menos com furtos, teria que aceitar a superioridade “macaquina” me assolando para o resto dos meus dias. Mas o problema maior não estava comigo e sim com o Zé Maier da outra novela, pois se o fulano do macaco – e já estou até dando a ele o status de fulano – soubesse xavecar estaria logo, logo na novela das oito que, diga-se de passagem, sempre foi das nove.
Fora do mundo animal, no mesmo enredo do Gal, uma garota que se embebedava para deixar de comer. Todavia isso não era o mais estranho. O que se tornava esquisito era a sua face “Jacksoniana”, porque não dava para saber se era pior olhar pra ela sã, ou quando estava de porre. Nada combinava naquele rosto, nem o próprio com o corpo. A simetria não era nem um pouco geométrica, quanto mais analítica. Estranho esse negócio de beber e deixar de comer, pois a bebida sempre dá fome seja de briga, seja de (ser) comida. A mocinha era altamente reprimida e não fazia jus ao nome da telenovela “Viver a Vida”. Teria forma melhor de viver a vida que enchendo a cara sem transformar-se em uma baleia ou um peixe-boi?
Decidi, portanto, não deixar mais minha companheira se deleitar do nosso sofá em frente a TV e prometo que quebrarei a mesma o quanto antes. Pois se um macaco Picasso, Robert Capa ou Sarney poderia me contemplar com um par de córneos. Não seria tarde para uma senhorita bêbada e esbelta me roubar o emprego.
quarta-feira, 5 de maio de 2010
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Um comentário:
Eis a televisão
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